Prefeitura prorroga estado de calamidade pública após tragédia que deixou 66 mortos em Juiz de Fora

  • 22/08/2026
(Foto: Reprodução)
Bairro Jardim Natal seis meses após temporal histórico em Juiz de Fora Juliana Netto/g1 Prestes a completar seis meses desde a tragédia provocada pelas chuvas de fevereiro, a Prefeitura de Juiz de Fora publicou, neste sábado (22), um decreto que prorroga o estado de calamidade pública no município. O temporal histórico, que atingiu Juiz de Fora e Ubá, deixou um rastro de destruição e 74 mortos na região — 66 deles em Juiz de Fora. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp O decreto permite que a população afetada tenha acesso a benefícios como o saque do FGTS e a suspensão temporária de parcelas de financiamentos imobiliários. A medida também mantém a possibilidade de mobilização de órgãos municipais e voluntários e autoriza ações emergenciais, como a entrada em propriedades particulares para prestar socorro e a dispensa de licitação para obras de emergência. Segundo a Prefeitura, a prorrogação é necessária porque os impactos do temporal ainda persistem na infraestrutura urbana e porque continuam as ações de assistência social e reconstrução. O novo decreto tem validade de 180 dias. Atualização Meio ano após o desastre, a Prefeitura de Juiz de Fora atualizou a situação das ações de resposta e assistência no município: Segundo o Executivo municipal, todas as 9.068 ocorrências registradas pela Defesa Civil desde o início do estado de calamidade foram concluídas. O quadro técnico do órgão conta atualmente com 110 profissionais atuando no monitoramento e suporte às áreas de risco. A expectativa é que chegasse a 125 agentes. Evacuações permanentes e interdições Apesar da conclusão dos chamados, a rotina de milhares de moradores ainda está longe de voltar ao normal. Atualmente, 47 ruas permanecem evacuadas e 26 estão interditadas, além de trechos com restrições ao tráfego de ônibus e veículos pesados. O g1 solicitou a listagem atualizada à prefeitura, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. Em muitos bairros, ainda há destroços espalhados, o que impede o retorno das famílias às casas e a liberação das ruas. A prefeitura informou ainda que áreas específicas tiveram a desocupação decretada em caráter permanente, devido à inviabilidade técnica de recuperação do solo para fins habitacionais. As medidas definitivas atingem: Bairro Três Moinhos: interdição e evacuação total do bairro Bairro Esplanada: desocupação permanente na região da Rua Professor Walquírio Seixas de Faria (acima da Rua Mamede Camilo) e no escadão que liga a Rua Luís André Hagen à Rua Antônio da Costa Pacheco Filho Até julho, o município executou 31 demolições de imóveis condenados. Na sexta-feira (21), a prefeitura iniciou a demolição de 22 casas na rua Maranhão, no bairro São Bernardo. Segundo a Defesa Civil, os imóveis foram atingidos pelas chuvas de fevereiro e classificados como destruídos ou interditados definitivamente. Em relação à situação do macromural localizado no bairro Esplanada, a administração municipal informou que não há novas atualizações técnicas. Em alguns outros pontos, como córrego Humaitá, no bairro Industrial, estrada Engenheiro Gentil Forn e ruas do bairro Paineiras, abaixo do Morro do Cristo, as obras estruturais ainda não começaram. O temor dos moradores é que, com a aproximação do próximo período chuvoso, as regiões registrem novas ocorrências. Margem do córrego Humaitá, no bairro Industrial, em Juiz de Fora Juliana Netto/g1 A atuação do Poder Público vem sendo questionada na Justiça, e a Defensoria Pública de Minas Gerais ingressou com uma ação contra a Prefeitura de Juiz de Fora, apontando suposta omissão e falhas na prevenção e mitigação dos danos causados pelas tempestades de fevereiro. Em resposta, a Prefeitura de Juiz de Fora afirmou que já mantinha medidas de prevenção, monitoramento e retirada de famílias de áreas de risco. Sobre os pedidos da Defensoria Pública, defendeu que as intervenções sejam realizadas de forma técnica e gradual, conforme estudos, projetos, contratações e disponibilidade de recursos, e pediu que a tutela de urgência não seja concedida. Desafios, doações e desdobramentos judiciais Em relação aos auxílios, o Auxílio Calamidade Municipal, no valor de R$ 800, atendeu 1.750 pessoas, conforme critérios socioeconômicos estabelecidos. As vítimas também terão direito ao Auxílio Reconstrução, que começou a ser pago em abril, e ao programa Compra Assistida, que prevê subsídio do Governo Federal para a compra de um novo imóvel por quem perdeu a casa de forma permanente. Recentemente, famílias afetadas em Juiz de Fora e Ubá começaram a receber itens de mobília e eletrodomésticos por meio do programa "Kit Recomeço". Prevenção A prefeitura informou que intensificou uma série de ações preventivas para tentar amenizar os impactos das tempestades no município. Entre os trabalhos realizados estão o desassoreamento de rios e córregos, a limpeza de bueiros e redes de drenagem, a proteção de encostas e a demolição de imóveis com risco de desabamento, sendo esta última etapa feita com verbas da Defesa Civil Nacional. LEIA TAMBÉM: Nova fase de obras no Córrego São Pedro Obra de R$ 90 milhões começa e promete reduzir alagamentos históricos no bairro Mariano Procópio, em Juiz de Fora Industrial terá obras de macrodrenagem no valor de R$ 95 milhões Em paralelo, o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) está em atualização. O estudo, conduzido por uma empresa contratada pela Secretaria Nacional de Periferias, vai mapear os locais prioritários e orientar a busca por recursos para novas obras. A Defesa Civil também reforçou as atividades educativas e de conscientização em escolas e bairros através dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs). O órgão informou que continua em alerta e orienta que moradores de áreas de risco entrem em contato pelo telefone 199 em caso de novas ocorrências ou sinais de instabilidade no solo. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/08/22/prefeitura-prorroga-estado-de-calamidade-publica-apos-tragedia-que-deixou-66-mortos-em-juiz-de-fora.ghtml


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